sexta-feira, novembro 28, 2008

Das Esmeraldas

Ela olhou profundamente dentro dos meus olhos , me apertou fortemente contra o peito e disse: "o corpo impede, quero abraçar a tua alma..."

terça-feira, novembro 25, 2008

Que seja melhor – 2ª Edição.

Afogue-te na tua própria água já que o mesmo fogo que ascende a paixão queima o amor.
Beba as cinzas em um copo de dor e sinta o carbono amolecer a tua pele.
As coisas de alma, doces e serenas, não agüentam com o peso da falsa embalagem. A embalagem que com a tua mão de bisturi cortaste a mentira em finas tiras transformando o que fora dito em carne viva.

A exposição do ator nu que inventou e sustentou o texto até o fim em um espetáculo falido, usando de armas baixas para prender a atenção da única pessoa da platéia, permanece em tua lembrança a cena do assassinato do amor.

Que o teu puro veneno te cures impedindo com que o sangue se misture a tua essência.
Que a floresta queime de lamentações e que os gritos possam ser ouvidos em toda parte.
Teu esconderijo é seguro e te proteges de qualquer patada.
A água, tão amorosamente doada a mais bela das feras, secou depois da destruição da fonte com a explosão do ego.
Só o tempo do renascimento te libertará das marcas que o incêndio te causou. E com este tempo necessário a tua cura, possa pensar em reconstruir ou deixar como está.

- Sê firme. O erro não foi teu.

sexta-feira, novembro 14, 2008

IDAVILA - 23º Edição - Ano de Áries

Para Valdir Alvarenga, poeta, mentor e amigo.
“Se passarão mil anos e eu não nasceRei.”
V.A.

Aos 23 anos já sabia que não podia me projetar. O hoje tinha se tornado lei implícita.
Sabia ao fundo, que a diferença do remédio para o veneno era a dose.

Aos 23 anos, tinha matado exércitos de demônios da solidão e tinha aprendido a ser às sós comigo. Quebrava as correntes do passado e me reinventava. Sentia o Vento do Reino. Trocava várias idéias com Iemanjá. E 23 vezes por dia repetia "Ao passo do passado eu já não dou mais passos"

Aos 23 já tinha naufragado por diversas vezes no mar da desilusão.
E foi o ano em que fiz mais amor com Natália B.
Descobri Marina e decorei meu vocabulário com novas palavras.
Aos 23 já sabia ler as entrelinhas e a conversar com adultos. A falar sobre astrologia. A ouvir jazz em boa companhia.
Aos 23 anos fui mais eu do que há 22 anos atrás...

quarta-feira, novembro 12, 2008

Teatro Literal

Uma atriz em transe no trânsito trançando transas translúcidas transfundindo coisas transatas no transporte transcendental.

Paixão

Uma rosa para ser completa precisa percorrer o caminho dos espinhos e das pétalas.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Sinastria – Parte I

Para Sarah Antunes

“Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.”
(Caio Fernando Abreu)


O que deve acontecer quando duas almas se reconhecem em apenas um olhar fixo e tímido? Em qual esfera devem brilhar? Em mundos feitos de sonhos antigos e cansados? Será feita a tentativa de descrever quando o acaso abraça este caso por trás.

Os olhos espelham a vontade não dita da boca pra fora por querer ser da boca pra dentro. A função de verbalizar o que não é dito se compensa com outras Linguagens de Bagagem carimbadas em diversos mundos afetivos. E pelo orifício do olho, transportam a alma para ser injetada no coração um do outro. Esta pressão é forte e alguém pode baixar o olhar segurando a alma com as mãos. Então, percebem os sons batidos pelo estômago após a avalanche de centenas de sensações de uma alma trocada: sentem que é preciso iniciar a mútua rotação. As almas em corpos trocados se transformam em mil constelações entre planetas. A Sincronicidade dos opostos e, mesmo desta forma, perfazem conjunções. Os mundos entram em órbita aliando suas energias em signos rivais. A força também faz conjunções entre outras esferas do eu: Lua e Vênus, Vênus e Saturno, Lua e Urano, Vênus e Plutão. E o pesado fluxo da energia converte as almas afinadas na canção do amor em instinto. As almas se transformam em felino e aracnídeo. Lutam pelo poder da energia trocada. Garras e ferrões. Veneno e mordidas. Sangue e saliva. Prazer e dor. O momento é o segundo. E no mesmo segundo os mundos envolvidos dividem a alma com a carne. O ponto é apenas um antes da explosão. Os corpos se distraem. Estabilizam como um vulcão ativo dentro do oceano.

quarta-feira, novembro 05, 2008

O Heroí está cansado,

guardou a espada, mas não se despe da a(l)rmadura.