Desculpe, eu sei, já está tarde. Já são três e tal da manhã, mas não pude deixar de te ligar porque sei que o teu navio já está no porto e você tem que partir. Eu sei o quanto pensou e repensou para fazer as malas desfazer a cabeça, a mente o coração juntar os três tempos pegar o ônibus atravessar a cidade para estar aqui. Eu sei o quanto pensou e repensou em ter que deixar essa coisa de alma. Essa coisa estranha que sempre aconteceu entre mim e você, mas não pude deixar de escutar o teu recado sublimar, mesmo você não querendo deixar e mesmo eu agora em outro hemisfério. Eu vim só pra dizer que sei o quanto você amou e o quanto eu amo, eu te amo e não poderia deixar você partir assim às avessas, chorando o que nem tem pra chorar. Eu só queria te dizer que eu me importo e que eu não queria que você partisse. Mas não é justo, eu parti também e você sempre soube de todos os meus lados egoístas tal qual criança emburrradinha emburradona no canto da sala chupando o dedo para fazer dengo e charme. Você sempre gostou das crianças em mim. Me perdoe a hora, eu não quero te atrasar porque assim continuaria a ser egoísta e você sabe o quanto eu tento outra vez te merecer. O que me conforta é que você sabe que tento te merecer se não nessa vida em outra e pára de dizer isso que você está tentando me dar o teu amor por dez vidas. "Futuros Amantes" sempre foi o nosso hino, "Amores Possíveis"..."Velas e Vento"... Não, não chora é só uma temporada. Chora, chora por causa da chuva de agora. É só o tempo do mestrado e até a volta. Eu sei que ando tomando posturas diferentes das que eu tomava e você fica se perguntando o porquê dessa mudança drástica sendo que você até mais do que eu sabe que não preciso destas coisas (será?). Eu vacilo no teu amor entre admiração e raiva que logo passa se ligo o rádio e te chamo na freqüência das almas friamente sedutora com voz de esfinge escondendo o tesão em falar com você porque não pode ser mais, não cabemos mais e assim te persigo por esses vãos mesmo você de saída agora resolvendo me deixar pra navegar em outros mares já que eu fui para tão longe. Preciso desse frasco de fé que vem do futuro e eu não consigo dizer mais nada porque esse meu vocabulário é pobre demais para expressar o que a boca não entende e que só os ouvidos da alma de maneira primim subliminar é capaz de entender. Sei que você mudou. Eu mudei. Eu agora vivo em me perder e me achar me perder e me achar com aquela certeza de triste perfeição única com você toda vez que fracasso no amor meu no desperdiço da desilusão porque não há porto como o teu que comporte esse amor de abismo. Eu parti. Eu me parti em mil pedaços e você agora parte e eu espero da boca pra fora e sinceramente falo que você se ache e que você agora note a negação nos meus olhos, este meu sentimento falso que você encontre outro amor na vaidade de dizer que o seu tombo sempre será aqui na queda. E pra consolar meu amor, que a chuva passe e que você navegue e navegue e volte e volte no exato momento de eu voltar. Já gastei tuas horas com inúmeros cafés e agora... Não se preocupe... É só chuva. É só água... Não há mais tempo nem pra cinco minutos de um cigarro. Tudo bem... Entre no trem...
Este texto foi publicado no antigo endereço piasuja.zip.net que fora excluído.
