quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Configuração

Muita crueldade dos astros posicionarem Sol e Vênus num signo de tanto ardor, profundidade e intensidade como escorpião. Ocorre uma fantasia estranha sobre este aspecto dentro de um relacionamento: para haver um incrível desenvolvimento as partes envolvidas precisam estar fundidas um em outro. O que pode acarretar contradições. O amor precisa estar inteiramente dissolvido nos corpos e expressado como se fosse até por telepatia. Bom para nativos de Peixes ou Escorpião. Para as demais esferas isso corresponde a perda de individualidade e liberdade. Quando essa coesão não ocorre, o escorpiano se sente solto e como se não pertencesse a um segredo especial. Esta é a essência: deixá-lo fazer parte de algo secreto e especial. Discrição é a palavra de ordem. Com todo este cuidado, Vênus mostra uma de suas faces mais belas: o auto conhecimento dentro do amor. Para se dissolver, é necessário que haja um desejo de conhecer a si próprio profundamente. E Vênus em escorpião facilita a jornada por ser mestre em coisas ocultas.
A relação que não é definida é o que mais lhe desorienta. Esse derretimento de alma precisa ser sentido com sinceridade. Se o escorpiano captar em alguém algo falso, este simbolismo de Vênus o faz seguir com sentimentalidades retraídas e se torna obsessivo quando não possui inteiramente o objeto de amor desejado. É capaz de se auto manipular a todos os tipos de jogos. Aposta todo o coração. Quando perde clama vingança, o que sempre acaba ocorrendo de uma forma ou de outra e isto lhe dá forças para cortar o mal pela raiz. Os jogos para quem tem esta configuração podem ser arriscados demais manter tanto sentimento assim na contramão, mas possui um poder de regeneração invejável. Já para aqueles que não podem com o seu jogo, para os que desistem no meio da partida, o gosto do veneno de Vênus pode até demorar para correr o sangue, mas quando acontece, o remorso e o arrependimento seguem a vida daqueles que não foram corajosos o suficiente para se auto reconhecerem no espelho de Vênus em escorpião
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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Depoimento de lente


Minha vida é uma novela contada em décadas. Assinei um contrato temporário com cláusulas não muito justas com o canal que me transmite. Sou a protagonista da história. Eu e os personagens que contraceno são meus únicos telespectadores. As cenas, eu gravo e assisto no aparelho do passado. Tenho anos de acervos. Queimo alguns por diversão, às vezes. Atuo e interpreto no presente. Como atriz, já fiz muitos papéis que não eram meus. Confundo o elenco com alguma coisa entre estrela e lixo. Decoro minhas falas sem pensar que já foram decoradas. Improviso. O responsável por me manter no ar respeita se decido abandonar certas cenas ou se decido contracenar com alguém que a mim é contra. Enrolo. Procrastino antes que entre os comerciais que me fodem a paciência. Xingo. Esses personagens são todos uns malditos. Inclusive eu: roteirista. Escrevo depois narro. Sou anfitriã do anfiteatro. Decoro: o cenário sou eu quem faço. Figurinista? Escolho sempre qual máscara usar. Todas têm a minha cara. Sonoplasta? Minha trilha sonora descarrila. Figurante? Às vezes, me abstenho de mim e sou testemunha do meu testemunho quando coloco as fitas gravadas e me vejo no canto das cenas de crime; das cenas de amor; das cenas de fuga; das cenas. Como diretor faço minha voz mental gritar para dar os comandos. Ela é quem diz como devo me colocar, como fazer meu olhar, como agir, como jogar a fumaça do cigarro no ar, como brigar e calar. Despeço atores. Contrato outros. Sou despedida da novela deles. Me contratam para outras. Meu trabalho não tem segredo – tem altos e baixos e sem mais delongas.
Assino porque é tudo muito temporário... Assino só para ficar registrado.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Venezianas


Meu desejo se tornou um sonho e meu sonho um capricho.
Em três tempos distintos percorri o caminho inverso.
E na contramão, sigo caprichosa, desejosa e sonhadora.
- Em segredo, em segredo.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Premissa - No casulo da Fênix

Saiu ele - O Diabo. Aquela mulher de frente para um espelho que não refletia sua imagem me congelou por dentro. Aquela mulher ruiva, seminua, sem reflexo, vampira, diaba.
- Eu, diaba?
- Não, não, não. Não esquenta. É tentação, provação, esses carnavais bíblicos.
- Mas eu fui Diaba?
- Já disse que não.
- Eu fui o Diabo, então? Ou o Diabo está atrás de mim? Eu vou me ferrar, não vou?
- Já disse que não inferno!- riu. É transformação. E radical hein?! Essa imagem que você já não mais vê é essa recente desilusão que você teve. Você já não se via tão refletida e mesmo assim continuava em frente deste espelho negro. Desilusão para uma transformação.
Você deve estar se sentindo como um navio nas brumas, na calmaria dos ventos com dois porões cheios d’água. O mapa para aquele porto eterno é tatuado no teu corpo e você transcende até lá. Como uma dimensão recôndita, paralela. E isso não é para agora. Tire a água dos porões com calma, mas não atraque. Gera confusão tudo isso. Não vai adiantar você atracar, embora não goste dessas águas escuras do presente. Não jogue a ancora em nada ainda. Não é seguro. Não olhe mais o mapa antigo. Neste você já encontrou todos os tesouros que tinha e até se machucou bastante pela aventura. Já abandonou a ilha, os paraísos primitivos. É hora de navegar mesmo no meio da neblina. O Diabo não mente. Quero dizer que sua própria personificação é a mentira, a enganação e isso ele não nega. E você já não se nega mais.
Acharás terra novamente e um outro mapa para além mar e será realmente divino! Voltastes para o seio da Grande Mãe onde ficarás até romper o casulo, minha cara! Confie no Diabo. E ele tudo o fará...

terça-feira, janeiro 29, 2008

Pia suja e seus significados

O Pia suja mudou de casa depois de um ano existência. Trabalhou muito, juntou uma grana, passou por poucas e boas e vive mantendo a pia oras limpa, oras suja, mas não deixando seus rituais, comemorações e enlutamentos de lado. A pia mudou de endereço, mas seus móveis são os mesmos sempre com uma bugiganguinha nova. Sabendo que sempre essas coisas de satisfação de ego geram bagunça. Encher a pia da festa e do café, do lanche e do jantar. A gente continua não pensando nela quando faz. Louça suja é conseqüência do gozo e o que importa é gozar! Quem é que vai lavar é o de menos. O importante que “PIA SUJA” ainda está para contar estórias. Porque já foi deixado estampado que as pias sujas também contam estórias. Cada pia suja conta um momento celebrado e um momento vital. Sua pia suja pode ser mais arrumadinha, sem tanta sujeira. Pode ser de louça de barro, de cristal, pode ser só de prato, tigela das mais variadas tigelas; pode emendar um escorredor e misturar coisa limpa com coisa não tão limpa; pode ter copo americano, de porcelana ou de requeijão. A estória que ela conta do que ficou e a segunda estória que ela conta de água e sabão é o motivo pelo qual vivemos. Todos nós sujamos a nossa pia e a lavamos depois como um ciclo de vivência.
O Pia Suja agradece a todos que a visitaram em sua casa antiga compartilhando seus prazeres e desprazeres. Estes serão sempre bem-vindos à casa nova.
Os significados da pia continuam esféricos e mutantes. A pia enche mais uma vez sendo ela mesma, mas não sendo sempre a mesma.
E novamente: "Sintaxe" em casa na nova casa bagunçada ainda - da Pia!

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Vênus Seco

Essa minha cabeça é um mês de vários dias nublados... E ainda chove.

Esse meu coração é um planeta vira-lata sem órbita – Gira em todo sistema.

Essa minha alma é uma mole dançarina: não importa os dias cinza de cabeça ou as reclamações de um coração mendigo – ela sempre se derrete conforme a música.







Estes fragmentos foram publicados no antigo endereço piasuja.zip.net que fora excluído.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Desiré

Para Éter
Eu disse a ela francamente – liberte-se para o desejo. Esse desejo que abraça tuas costas e se insinua pelos meios de ti. Eu disse a ela – não tem problema: seguiremos no teu ritmo. Adoraria saber o que foi que te seduziu. Esse meu mundo? Oras, não tenha medo Pequena, não tenha. É perigoso, mas é o tempero, é o que torna tudo mais gostoso. E não me pergunte por que eu ainda não a devorei. Não sei. Eu disse a ela – Quando esse desejo te pegar de jeito, eu estarei ali para que ele me use como instrumento.
Este texto foi publicado no antigo endereço piasuja.zip.net que fora excluído.