A loucura é a ponte partida sob o abismo das paixões. É o exagero rígido ou a ausência de eixo ocasionada pelos conflitos entre o centro e o meio. Toda forma abissal possui em si mesma uma fascinante dualidade de sentido. O perder de mão dos limites particulares. A loucura é partículas sem lares, errantes, mas isoladas pelas partidas e chegadas das suas edificações fragmentadas à margem de qualquer ordem ou sistema alheio ao seu próprio autêntico, seguidoras somente de suas múltiplas influências abismadas. Estas que atraem “o louco” para a beira, obedecendo suas regras internas para o fundo do abismo incompreendido pela superfície. O ser abismado é o sacrifício/sacrificado da paixão. Aquele que abandonou o logos solar para viver o escuro transformável do seu casulo – o fundo do mar inconsciente – a solidão em busca de seus íntimos significados. A loucura é o efeito abismal do eu transformado em esconderijo, elo secreto e difuso do ensimesmado com os objetos de suas paixões.
terça-feira, abril 20, 2010
sábado, abril 10, 2010
Um relâmpago para dois trovões
Hoje entendo o momento no qual você disse - que horror - para o barulho das ondas sobre as pedras.
Contra-dança das pedras
Credito na conta das repressões
e cada palavra necrosada
faz crescer o débito.
Suprimir e esmagar cada expressão,
dá ordem aos meus comandos.
A palavra lágrima rola
E as pedras me calam fundo.
Em cárceres de pingos d'água
Formando prisões translúcidas.
Concreto à tinta guache,
protejo as costas com luvas.
e cada palavra necrosada
faz crescer o débito.
Suprimir e esmagar cada expressão,
dá ordem aos meus comandos.
A palavra lágrima rola
E as pedras me calam fundo.
Em cárceres de pingos d'água
Formando prisões translúcidas.
Concreto à tinta guache,
protejo as costas com luvas.
sexta-feira, abril 09, 2010
Dança das pedras
A maior sensibilidade está no rolar das pedras.
Caso contrário o corpo se torna desafetos empedrados,
Amontadas prisões voluntárias.
Não se deve conter as pedras
É o mesmo efeito da contenção das lágrimas.
Que seja então fenomenal!
O desvelamento do fenômeno natural.
A tragédia e a contrução
Compartilham do mesmo tabuleiro
Perfeitamente sensíveis no seu devir.
sexta-feira, março 12, 2010
quinta-feira, março 11, 2010
Deslizando pelas as corredeiras as pedras talham
Ameaçando os andares à baixo as pedras resistem
Rolando verticalmente os rochedos as pedras brincam
Vincadas a terra as pedras voam
Habitando as encostas as pedras descansam
E endurecidas as pedras cantam
As pedras sabem do peso de suas esculturas
Pedregal, pedreira emburrada, pedra da Lua
Trovejam quando caem em cima de outras
Até mesmo raiva de pedra é sensível
Desculpam-se e celebram seus novos contornos
Ecoam os pedregulhos trovões.
Pedras nuvens, pedra-de-raio, pedra de ara, pedra polida
Pedra-ume, pedra-sabão, pedra lascada.
Aos olhos dos menos refletidos podem ser mero joguetes do caos
As pedras sabem do seu papel real
Entregam-se aos passos, aos ritmos naturais
Dançam águas, dançam terra, dançam ar
As pedras até choram
Mas não no mesmo lugar.
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