sexta-feira, junho 11, 2010

Pathos quente

No alto da minha cabeça

existe um pavil.
Meus dedos deslizam
pelo meu corpo áspero
e as minhas mãos
se ascendem.
Sou aquela que tudo
ilumina.
Entregue ao
sacrífico da luz.

terça-feira, junho 08, 2010

Na brasa

Até que o cheiro dos meus pés me sufoquem.

sexta-feira, junho 04, 2010

Ouço cigarras


E fumo esperando o verão chegar...

segunda-feira, maio 17, 2010

Casa 10 da Rua 18

Não adianta enumerar o embalo do tempo - existe um Saturno
sobre os nossas cabeças.

quarta-feira, maio 12, 2010

Erínias

A mulher serpente-cão, doce e ingrata, beija-me com boca de empatia e a língua de aceitação incondicional e me agride com as mãos da anti-ética.

sábado, maio 08, 2010

Sol da madrugada

Traga Vento
O Dia que a Noite levou.

terça-feira, abril 27, 2010

O Antiquário

"Existindo já era a forma de ser aquilo que queria,
não esforçando a feitura de um outro mais bem acabado,
sabia que mesmo sem se mover já estava sendo."
Ângela Castelo Branco



Os móveis estavam no centro
Deliberadamente indispostos.
Caindo uns sobre os outros relaxados
Pontiagudos, retângulos, quadrados.
Pareciam todos acuados pelos cantos
Elegantemente inadequados,
Simétricos e tímidos.

Sob o nuvem do esquecimento
Maquiagem cinza do tempo
Moldavam suas máscaras imóveis
Marcados por mãos alheias seus rostos impassíveis.
Em sua ciência pouca e obscura,
Sobre os móveis estava a placa "aluga-se".

Suas formas diziam pertencer a um cômodo
Juntos e desordenados envelheciam o imóvel inabitado.
O escuro e o silêncio eram os seus contatos.
E todos os dias os móveis festejavam a ausência.