quinta-feira, janeiro 15, 2015

Lentes para contato

Deixo os óculos escuros nas horas mais claras.
A hora que não penso que chegaria a passar.
Dada a largada de ir embora
Marcado para a hora agora.


Um bolo para Danielle

O café perdeu a visita. Levou um bolo. Seu destino foi destinado a não se cumprir. Seguindo seu caminho engarrafado por uma noite intocável. Pela manhã, o recipiente que lhe dava forma, ganha outra, o café anoitecido é derramado na pia e ganha um novo destino, por mais outro filtro. Tudo menos um café cozido. Mais um repetido. "Inventário do ir irremediável" sobre a mesa, um telefone morto, mudo. Um vaso de dollar verdinha, verdinha, uma cadeira vermelha de espera vazia e o cheiro de mais um café impregnando a casa. Lembra alguém que não chega e que nunca chegou. As palavras que racham a língua são as mesmas pelas quais o meu ouvido pinga. A fenda possível dividiu o coração dela em dois. O mal que corroí é o mesmo que enferrujou o bloqueio de aço encouraçado. Onde aprendeu a se acomodar com o desamor, as migalhas de um sentimento ostensivo e triste? Guarda agora as malas e só quando tocar a campainha, saia correndo para receber a quentinha do amor pouco. Aquele chá da tarde inexpressivo já não posso oferecer. O pouco da distância proporciona a ilusão aparente de amor lúcido. Se as horas passam é por alguém que não chega e amaldiçoado, deve ficar entre os restos ou derramado.

domingo, janeiro 11, 2015

Trevoso

Sinto- me compelido ao ódio por amor. Arrastado para o sombrio, a luz irradiante esconde a chaga. Demasiado desejo a vácuo, eco não reverberado. Da força divina amorosa ao desespero do mortal caído em trevas, o amor passa a existir em modo amaldiçoado.  Lânguido por sua força, cobra devotado a dor ao que cabe ao amado. E vulnerável, torna-se ameaçador.  Faca afiada certeira.  Flecha venenosa reta. Bala cravada como estaca. Em uma poça, beber a vida de sangue do amor conjurado. A sede de vida por sangue pode causar a morte. Morrer por brindar insaciavelmente a posse.

sábado, janeiro 10, 2015

Pia Suja Quarto - Outro Novo Mesmo Ralo

Vamos colocar mais uma vez o Pia Suja no centro do palco - batuque, dança e luz à pino. Pensar em pias sujas como desprazer rotineiro ou prazer continuo. Se acumular, monstros se levantarão pelo ralo e cada louça zumbi não irá causar nenhum mal além de estarem a espera - prerrogativa para a solidão - sobre a pia. Sorte de quem não tem essa fobia. Faz bolo com a panela de macarrão e molho vermelho. Não teme remorsos de ralo, pois a pia não vai devorar a mão. Sabemos que, com o tempo, pode... não sabemos. A ordem está para o caos como o caos está para as pias. O Pia Suja se iniciou copa, preocupado com os enredos das coincidências e observações sentidas. Fatores que habitam o profundo. Por diante, passou a olhar mais para o ralo interno, vão de trevas, desvão de tréguas, cavernosas indagações. A magia comportamental para quem passou a querer saber como a louça da pia - tirando nosso benevolente ato mecânico instintivo consciente de lavar - aparece e desaparece pelo o efeito da sua condutora água para o ralo. Assim, debruçou sobre o olho que vê na posição central da cuia e se desdobrou em Pia Suja - Pelo o olho do Ralo - batuque, dança e luz à pino. Insuportável odor sedutor, roubou suas narinas e conduziu por encanações trágicas e, encanado, entupiu paralisando os canos. Da explosão dos tubos ao esgoto, e por desgosto, passou a existir em outros estados viventes, adaptável ao ambiente, como ratos, baratas, todo o reino de larvas. Descobriu que no sub mundo existem alas: a todo instante se tem a sombra como companhia. Nos becos insalubres escorreu anônimo, desapareceu em si. Seu paradeiro tornou-se ignorado e para além da cuia, já não sabia mais onde estava. Batuque, dança e luz à pino - Pia Suja - para além do Ralo. O que havia depois do ralo senão outros buracos negros? Claro, o desconhecido - onde tudo é enamorado! Onde a raiz da dúvida do ser ou não e em que modo, se instaura para o desenvolvimento do potencial em tomar escolhas. Os enamorados da cena marcam as taças com vinho e o corpo com mordidas ou podem escolher a partida sem mais pias. Escolher aparecer ou desaparecer nunca se tornou tão fácil. A relação de cara pro ralo durante as comemorações de pia suja desde o primeiro aniversário. Pois não há possibilidade de se contribuir para a pia do velório e nem beber o morto quando se é o si mesmo. Experiências de quase morte naturalmente revelam outras realidades para além do visto, outras possibilidades de existir aparentemente igual, mas nunca o mesmo. Aparentemente, o blog Pia Suja agora - batuque, dança, surpresa e luz à pino - ressurgiu de outro estado das formas lodosas como Pia Suja - Outro, Novo, Mesmo Ralo. 

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Contando
Com tanto
Contanto
que não seja muito

sexta-feira, dezembro 14, 2012

sexta-feira, novembro 23, 2012









Filho de Titã
Arrasto a beira do mar
Para um mergulho profundo
Da sacada do 8º andar