segunda-feira, agosto 10, 2015

Em uma via expressa de quatro faixas, tráfego intenso, tarde prateada de quase um amanhecer nublado, o teu carro corta pela esquerda. Eu quase atrás em uma cavala, rasgando o asfalto e dançando montada entre os meios do trânsito, nas brechas transcendentais. Te alcanço rápido, enfim.
Passo pela tua janela, entre faixas, no mesmo instante que nossas cabeças dizem sim. No pensamento a fala: - Vai na frente! - Vou na frente! - Te encontro lá. Na sincronia dos verbos telepáticos e na velocidade daqueles que não podem parar, pois é preciso chegar e partir a todo tempo. Muitos obstáculos para se ultrapassar, quilômetros de impedimentos. Onde a coragem para a transmutação se faz presente, na iniciativa de atravessar e superar as barreiras ausentes do tentar.

sexta-feira, agosto 07, 2015

Sob o sol de agosto, o oito se deita em infinitas transformações. Mulher indecisa, que negando tudo, aceita no último momento do sim. E tomando a escolha, sim ou não, tudo a leva. Os minutos são devotados a viver nos segundos de entrega. Gosta do jogo das espadas, de língua afiada palavra, empunha cada, como se em sua outra mão o coração batesse no ritmo das batalhas. Intensidade da pele sobre a flor. No ardor da purificação. Pois em todo lugar que há o bem, e não se pratica o bem, o amor não trabalha, e se cristaliza por falta de serventia. E do mais profundo, soube que amar não sabia. Não sabia que o amor não morre de causa natural... não sabia. Sabia que o amor tem perfeição divina num jeito humano imperfeito de amar.

quinta-feira, junho 25, 2015

Katana



Quem sou eu diante da paixão?

quarta-feira, junho 24, 2015

Depois de meses que foram contados como milênios, cruzo a cidade. Morro dentro do trem. Dentro do trem morro a cada segundo que penso que por mais alguns minutos de séculos vou te encontrar e colidir o  tempo e a espera com a esperança já num presságio presente, agora por pouco mais algum agora, prestes a acontecer. Um pré-sentimento sobre os trilhos, pulsante de destino certo. Saber que a pouco só a porta da tua casa nos separa. A tua mão trêmula sobre a maçaneta. A porta aberta no último quarto de década para que tu gires a chave. Definho na certeza de chegar morta no caminho com a segunda certeza de renascer do outro lado dos teus braços, nos teus abraços, que tanto espero ainda dentro do trem.

segunda-feira, junho 22, 2015

Por algo sempre a dizer
A frase seguinte
é dita na frase já dita
do agora mais que nunca
sobre entrelinhas etéreas
que viajam no tempo e no espaço.
O hiato se faz pausado
e as reticências no cosmo.
Dê tudo ou nada
Do nada no instante do
tudo completo pelo
oposto contactado,
pelo em cima e pelo embaixo,
Unidos como as árvores que abraçam 
os céus ancoradas 
no centro quente da raiz.
O infinito em nossos lugares
por assim dizer, 
Palavra a palavra
Lacuna viva
de línguas vorazes
entre nós, em nossos lugares
Por assim deixar por dizer
Os processadores de análises em sílabas
por melhor compreender as linguagens
Cortadas, cortadas...

domingo, junho 21, 2015

Paixão de Atrito

Tanto desejo tomador de espaços
Em um novo amanhecer ter tua alma sobre a minha
Unidas numa parceira de estrela binária 
que esqueço de torpor que
todo o gás que culmina é tudo e só amor

quinta-feira, junho 18, 2015

Zéfiro

Boca perto do ouvido
Num suspiro
A brisa sobre a pele da alma