sexta-feira, outubro 05, 2007

...Por falta (Base Cafeinada)




TODO DIA ELA DORME NO DIA SEGUINTE...





Este fragmento foi publicado no antigo endereço piasuja.zip.net que fora excluído.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Dos Pontos

Presta atenção meu amor: se conseguirmos passar além do ponto de quando chega o ponto onde achamos que não podemos mais passar, chegaremos então ao ponto onde as coisas realmente começam. Esses pontos são infinitas reticências que nos conduzem a todo um mar de interrogações de textos batidos. Você tá prestando atenção amor? Não ri. Não é bobagem e nem estou viajando. Você mesma me disse sobre os pontos e eu fiz você enxergar um outro ponto que fez você ir além de um outro ponto de mãos dadas comigo. Esse ponto que nos fez ir além da arrebentação deste oceano imenso que é a paixão. Sim, fui eu daquela vez. Eu só preciso que você veja que eu estou tentando mudar para que passemos mais uma vez por este ponto além do ponto em que chegamos porque tudo isso é muito maduro e você me faz querer superar todos os pontos que alcancei. Não me faz estas caras de ponto de interrogação com dois de exclamação. Eu sei que você entende e que só sentimos de maneiras diferentes porque talvez você esteja num ponto paralelo ao meu e às vezes acho isso ruim. Às vezes, vou para casa pensando neste maldito ponto em que chegamos que nem avançamos e nem recuamos: distantes demais da praia do-estar-sozinho e passando para o ponto do vamos-tentar-mais-e-mais-uma-vez. Se você ao menos tentasse entender que passo por turbulências tão graves que faz o barco encher de água e você nem sabe mais como me ajudar porque mando você para o inferno e tento sozinho com a canequinha tirar o oceano de dentro... Sei que você entende, mas eu não entendo porque é tão difícil para que eu entenda que você não precisa entender da maneira que eu entendo. Sim, sei que às vezes quero me jogar no mar e boiar dias até chegar à praia novamente sem você para provar pra mim mesmo que não preciso deste barco cheio de rachaduras que eu mesmo faço. Não me jogo porque é arriscado: passamos desse ponto e neste ponto em que estamos boiar no mar só porque não consigo parar de encher o barco destas brechas é suicídio em que o destino cobra metade do teu e do meu coração. Você sabe que vou continuar até que passemos desse ponto onde a Terra se faz quadrada e onde se abre um abismo enorme sem horizontes onde caímos infinitamente até bater no abismo do abismo do céu ou do inferno não sei. Tô te cansando? É eu sei. Mas só quero que você entenda meu amor: tô tentando passar dos pontos paralelos para que cheguemos num ponto em comum. Sei também que temos vários pontos em comum, mas se ascendo um cigarro com impaciência e digo que vou embora e ameaço a me jogar no mar é porque não estou conseguindo tirar a água do barco e o meu grito mudo e as minhas caras de indiferença são para você fechar essas rachaduras imaginarias que faço. Entende que fazemos tudo do avesso? Consegue entender que meus sims são nãos e meus nãos são sims? Consegue entender desta maneira que entendo? Ok, ok não quero mais que você entenda como eu entendo, mas preciso de um sinal, um ponto de entendimento. Você é do avesso que nem eu e não consigo entender os teus avessos porque todos eles estão do avesso dos meus avessos e não conseguimos mais desavessar porque assim vamos nos complicar e nos complicando você fica cansada desses pontos intermediários de acentuação. Sei que você quer um texto quase que infantil porque é simples e doce de ler e eu coloco pontos e mais pontos e mais pontos para complicar você. Entenda: eu não coloco estes pontos porque quero complicar as nossas vidas. Apenas quero separar e organizar a leitura, mas como se encho este nosso texto de tantos pontos que você está cansada só de ver sinal e nada das palavras e nada de ações? Precisamos passar deste ponto, e sei que ultimamente bato nas mesmas teclas. Isto porque ando confuso e ando misturando todas as linguagens e ando sendo uma contradição do inferno. Você está entendendo o ponto em que quero chegar? Se conseguirmos passar além do ponto de quando chega o ponto onde achamos que não podemos mais passar, chegaremos então ao ponto onde as coisas realmente começam. Presta atenção amor...
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quinta-feira, setembro 27, 2007

Café, maçã e jazz

Para Juliana Ciesielski
Era café requentado, maçã em uma mão e meio cigarro mentolado. Billie Holiday chorosa ao fundo, pés no sofá... Mente vazia da noite passada. Uma foda mal dada. Pensava, pensava, e não pensava em nada. Extremamente cansada do nada. Nada que acrescentava em nada. Com os propósitos jogados por algum canto sujo da casa. Esquecidos dentro de tantas outras coisas. Lixo: lixo velho, lixo novo. Ela já havia dito tudo e por longas semanas. Oscilava entre paciência e ódio. Mistura exótica eu sei. Mas era assim que se sentia: definhando com sentimentalidades inúteis. Apegada ao que não rendia mais. Perdida entre tantas sensações desordenadas. Era a casa, era a casa que nunca conseguia arrumar. Não dependia só dela. Não era apenas a sua função. “You’ve changed, you changed” – Billie repetia. Suas estantes, seus livros, seus cds, suas plantas... Tudo tão sufocado, misturado com as coisas da outra e tanta bagunça, tanta coisa junta que durante semanas já tinha virado descaso. Mas ela não era assim. Queria suas coisas no lugar junto com as coisas da outra. Queria tudo certinho. Pensava tanto, tanto e não pensava em nada. Se falava, não era levada em conta. Se brigava era porque implicava com tudo. Se pedia com meiguice era acarinhada, mas não adiantava nada. Tanta coisa pra nada. Tanta coisa amontoada, tanto entulho. Mordia a maça, tragava o cigarro, golava o café. Medos e a coisa certa a se fazer. Era uma coisa entre conformação e reformatação. Era cansaço de murros em ponta de faca. Cansaço. Repetia. Liquidificou as sentimentalidades bem cedo. Acordou antes. E bateu e misturou e dissolveu todos os pensamentos, sensações, intuições, tudo. Embaralhou tudo para agradar a bagunça de sua casa.

A outra não sabia viver um momento de cada vez. Queria viver todos num só. Nunca quis ir até a porra do fundo. Sim, sim era assim que a outra se referia as coisas quando pensadas e organizadas. O raso é melhor, não precisa ficar fazendo esforço para respirar.

Eram as mãos da outra esfregando as olheiras no batente da porta do corredor. Era o sono do agora vamos lá então chegar além do ponto que você quer. Era o medo do que horas são. Ah bagunça não! Me deixa dormir e cala a boca antes de os teus pensamentos vibrem o ar. E não me olha assim porque não vai rolar. Não vou brigar. Tive uma noite ótima. Ri horrores, dei como há muito tempo não dava e gozei linda e bela, então não venha falar pra arrumar nada. Tô com dor de estômago.
Esta achava que tudo que a outra fazia era cobrar. A casa estava um lixo, mas demora mesmo pra arrumar. Isso é normal. O mais importante é viver. Se está bagunçado é o que menos importa.
Ia tomar uma cerveja no bar, rir com as amigas. E a outra lá: toda preocupada em apontar, pressionar o que sabemos que só se resolve com o tempo. Eu sei. Não estou tomando partido. Era assim que eu via as duas.

- Você vai?
- Se você decidir ao contrario...
- Decidir o quê? O que tem para decidir?
Era o sorriso amargo no canto da boca e agora era “I Don't Stand a Ghost of a Chance With you”. Riu da ironia de Billie também.
- Quando você decidir meu amor... Ando cansada. Olha pra esta casa. Essas pontas de cigarro no chão e aqueles produtos de limpeza em cima da mesa desde as compras de quinta-feira... Aqueles pratos de macarrão de domingo passado... Tuas roupas há uma semana no varal... Tuas latas de cerveja na pia com os meus cafés cansados... Teus sapatos por ai... Tuas roupas por lá...
E mentalmente, bem de-va-gar, repetia: cansaço, cansaço, cansaço – Oh God I’m tired...I’m tired...tired...tired...
- Tudo bem eu vou arrumar. Eu arrumo. Você sabe que eu arrumo - disse a outra - Mas...
- Mas agora não, não é verdade – completou calmamente. Agora não, você está cansada, trabalhou a semana inteira, fudeu comigo a noite toda no meio dos lixos desta casa... Tudo bem meu amor...tudo bem...Como você quiser...
- Que você está levando na bolsa?
- Minhas maças, meu pó de café e meus cds de jazz. Vou deixar você arrumar a bagunça quando quiser. Quando se sentir a vontade com as paredes.
- Pra quê? Tá ficando maluca? Olha aqui você não vai sair assim não. Eu trouxe todos os meus móveis pra esta casa, eu sai da minha pra morar com você. Eu tô aqui me acostumando a esta nova vida com você e não é à toa não e você só sabe dizer que esta casa está um inferno. Ficamos bem apenas por quatro dias e de lá pra cá o que você mais faz é me cobrar. Olha pro quadro que comprei. E aquela maldita estátua de vocalista que você tanto queria. Eu sei, ele tá na caixa há dois meses, mas é seu. Eu comprei pra você. Tudo pra te agradar. Tudo pra te ver feliz. Eu te dei a minha vida nesse curto tempo. Eu me apaixonei por você, tínhamos planos... E agora você vai sair assim? Depois de tudo? Você tá ficando louca... Não, você só pode estar ficando louca...
- Não amor, não é loucura... É só cansaço... É só cansaço...
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sábado, setembro 01, 2007

Dia seguinte...


É...ENTÃO...NÃO HÁ AMOR QUE RESISTA A UMA BOA REFLEXÃO...





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segunda-feira, agosto 27, 2007

Levemente Antigo (O sólido de Ana entre as coisas de Mar e Ilha)

Adoro as tuas mãos

e o efeito que as tuas pulseiras e

os teus anéis dão a elas.

Adoro o teu cheiro,

de quando você passa as mãos no cabelo

e me olha falando a Linguagem do Amor.

É pura a Química. É pura Sintonia

transcendendo a Linguagem das Almas

e transformando a Alquimia

em segredo...

Em segredo...





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quarta-feira, agosto 22, 2007

CAUTERIZAÇÃO CARDÍACA - EFEITO DETERGENTE


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domingo, agosto 19, 2007

Entre Mar e Ilha

Já te falei Marilia de como eu sou louca pelos teus pés... Desse teu jeito amante, desse teu cigarro pensativo. Eu já te disse sim Marília para este teus olhos do sim. Esse teu olho que reflete em mim aquela madrugada vadia do teu primeiro sim. Aquele amor no carro com aquelas mpbzinhas! Aquele amor de bossa nova. Já te falei Marília que isso é bossa nova que isso é muito natural... Não ri que assim você me rouba mais. Não, não paro não. Já te falei que não vou parar de repetir o teu nome no final de todas as minhas sentenças Marília...

Esse teu olho profundo! Quem te falou que você é rasa? Já te falei que nem preciso mais dos cilindros e nem dos escafandros: mergulhei de pulmão aberto. Já te falei Marília que nem preciso respirar, pois do alto desse teu amor o ar é rarefeito e azul.
Já te falei Marília que você fica entre as coisas doces e lentas. E ninguém tem carinho assim para dar! Doce, leve e lento. De passar horas assim? Já te falei que passaria o resto dos meus dias entre as tuas pernas Marília...as tuas longas e finas pernas de bailarina! O mais profundo de ti no profundo de mim, é a tua alma que sempre me beija. Essa tua boca é radar dos meus desejos. Não ri, não ri... Que esse amor é sério... não ri, não ri...
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