segunda-feira, julho 14, 2008

Flor do Oriente

Ela andou comigo em meu cavalo vermelho sem medo. Comeu da minha comida. Bebeu da minha bebida. Dormiu na minha cama, velou o meu sono na cadeira. Li suas pegadas no meu destino, as pegadas de outras amazonas no meu destino. Ela falava sobre bad trips, coca, supositórios. Sentamos ao vento do mar e ela me dizia como era terrível o barulho nas pedras. Lua em escorpião e dizia que queria ouvir até ficar empapuçada disto. Cantávamos quando as palavras já não explicavam mais. Íamos do punk a bossa nova num instante. E através dos sons sentimos que os nossos reflexos ainda estavam juntos no espelho das almas. Senti um vazio que preenchia meu estômago de paz, de um silêncio cantado. Chorei para regar.
Ela retornou pelas suas estradas até a sua atual casa deixando em mim a semente que sempre deixa para colher quando sentir que floresceu:
- Sumo, mas te amo
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