terça-feira, maio 05, 2009

O Circo do amor

Para F.
Quem é que nunca se meteu em um picadeiro do circo do amor, vestiu a fantasia de palhaço e deixou satisfeito o público que cuidadavidaalheia?
O ingresso é de graça. Qualquer pessoa pode sentar na platéia e assistir as pataquadas da “Trupe da Batata Quente”. O preço alto é pago por quem se arrisca a usar o nariz de palhaço dentro das relações em insistir estar com alguém que não está inteiramente comprometido.

A grande piada é quando você quer muito está com aquela pessoa na qual você acha que foi predestinada a entrar no seu caminho. Esta pessoa, por sua vez, não se interessa por sua segurança, fura o tempo todo, caça os assuntos mais mirabolantes para inventar uma briga e sair para a balada mais próxima justamente com aquela amiga ou amigo que só está esperando para fechar o maior golpe e furar o seu olho. O que fazer? Vestir a calça larga e cair na risada.
Porém, não é o que acontece quando se trata de sentimento. Quem não é valorizado sofre pela falta de apreço, sofre pela carência, sofre por se sentir um grandíssimo idiota em querer alguém que caga potes para as suas sentimentalidades. Comédia trágica! Esse sentimento de menos-valia faz com que a pessoa cometa os mais insanos atos, show de ciúmes nos botecos, encenação das garrafas voadoras, viradas de mesa, teatro da rua das gritarias, tenda das lamentações, jogo das intimações enfim, tudo que irá diretamente para o circo do desamor.
E assim, depois de tanto ouvir a platéia avisar que o outro está logo atrás de você com o balde de água fria, você pensa em largar a profissão de palhaço, encarar a desilusão e tentar ser feliz. Dar um tempo para o coração, desencanar, dar-se a oportunidade de voltar a se amar e tranqüilizar a mente.

Mas acontece algo surpreendentemente anormal neste incrível picadeiro amoroso! O espetáculo não termina para a alegria do respeitável público!
De repente você, que cansou de ir para casa sozinho e rejeitado, larga a fantasia no chão e estrategicamente ou não, aquele que lhe jogava tomates na cara é surpreendido vestindo a carapuça. O seu telefone não para mais de tocar, a pessoa percebe que está jogando fora a mais preciosa oportunidade de ser feliz. Reconhece que a palhaça da história tem sido todo o tempo ela mesma e decidi lhe reconquistar de uma vez por todas. Aquele que quis, correu atrás, suplicou pelas migalhas do amor passa a não querer mais. E aquele outro que até pouco tempo não queria um relacionamento embargado volta a querer.
Palmas para aqueles que conseguem sair do palco e nunca mais voltar, pois são sábios o suficiente para entender que isso é puro truque de mágica para que o antigo palhaço volte a palhaçada. Dentro de uma relação, as pessoas envolvidas precisam estar verdadeiramente comprometidas para que o “estar junto” seja saudável e prazeroso. Caso ao contrario, todo o relacionamento vira uma grande piada cansativa e de mau gosto. Se não for o caso, se a intenção não é ter algo sério e firme, que seja logo especificado para que não banalize o sentido de querer bem o outro. Afinal de contas, o coração de ninguém é Play Center.
E que o desejo seja claro, embora não precise ser definido logo às pressas, para que não seja armada a grande lona e para que os palhaços não sejam escalados a contracenar o grande espetáculo do circo do amor – desnecessariamente.

7 comentários:

Anônimo disse...

Vivemos realmente em um ciclo de circos amorosos , mas não podemos nos considerar palhaços do sentimento mais lindo q ainda nos resta,temos q fazer a magica da conquista pra isso não acabar ,equilibrar pra q não ser lançado aos leoes um sentimento verdadeiro.E aplaudir cada coisa q se vai conhecer da pessoa amanda,seja boas ou ruins!!

Anônimo disse...

Pois é isabeLê... todo mundo veste calças largas de vez em qdo. Mas o circo só rola se o palhaço estiver na vibe... hehehe!!!

Anônimo disse...

Olha, por mais apaixonada q a pessoa esteja, acho q o q motivaria este grande espetáculo seria o circo do DESamor PRÓPRIO...Amor não se exige. E se as demonstrações da falta dele, bem como da falta de respeito ficam claras, a melhor coisa a se fazer é sair de cena em grande estilo. Pago com o desprezo e o ponto final na relação. Afinal, eu me amo e me respeito o suficiente pra isso.

San disse...

Acho que em certas circustancias vamos estar sempre usando esse nariz de palhaço e o coração sempre vai ser o picadeiro, mas tem os dois lados, pode ser para a felicidade que seria a alegria, a brincadeira a dois ou pra tristeza que alem dessa fantasia vem a lagrima junto. Só depende de nós mesmo pra mudar isso e nao dizer que o verdadeiro culpado do nosso relacionamento fracassado é o coração e xinga o coitado de tudo qto é nome. Sabendo que o verdadeiro e unico culpado sao os olhos que nao enxergam mais alem.

Adorei o texto, me identifiquei muito com ele, mas dessa vez eu quero é brincar no picadeiro e nao cair de joelhos e me machucar.

Parabens pelo texto!
Bjao

jan disse...

Agora preciso rir! Rsss...
Mas vc disse a mais pura realidade!!
So tenho algo a acrescentar: Com um pouco de exercício é capaz saber de cara quando se faz papel de palhaço!
De resto: vc não é profeta, mas uma grande observadora.
Ah! O outro sempre passa a perseguir o palhaço pq é a "lei do distanciamento"! Queira algo, mas não demonstre tanto. Tem mais chances de conseguir Gatinha!

Anônimo disse...

Todo dia nasce um palhaço...
Todo dia morre um palhaço...
Todo mundo se veste de palhaço...
Todo mundo se cansa e tira a roupa de palhaço...
Mas se não fosse assim, como você poderia ter escrito esse texto?
como eu poderia me identicar com ele?
Como poderia existir o amor proprio, lendo teorias, escutando lamentaçoes da vida dos outros?
É preciso vestir a camisa de todos os personagens, interpretar o bobo da corte ao rei majestoso...
É preciso viver, sentir....
Amiga, parabéns pelo texto, estarei de longe acompanhando e comentando...
um beijo grande...
p.s. todo mundo vai se identificar com o texto...ao menos uma vez na vida...
KAZU/KSEVEN

Deise disse...

èh Xuxulete... minhas calças largas ja estao gastas e cansadas de serem vestidas. Mas em fim ... adorei o texto, me identifique muitoooo... Parabens Amere!