segunda-feira, maio 05, 2008

Love in box

Para Alexandre Alvarez e nossas conversas.

"O amor não é amado". O sentimento é descartável. É a caixa de papelão da fast-food. Abriu, comeu, saciou, lixo. E nem se separa para reciclagem. Exceto se é latinha de alumínio que juntando dá um qualquer. A sentimentalidade é absorvente "Modes", "Sempre Livre" - só pra quebrar o galho naquele momento sangrento depois joga fora. Lógico, ninguém quer sangrar pra Sempre e voltamos ao Livre! Tudo muito rápido. As pessoas se conectam em banda larga. Conexões pagas são várias conexões ao mesmo tempo, rápido, rapidinho. O amor é prostituído. Garota de programa virtual ilusionista. Pá pum. Passou, veio o tesão, lugar qualquer, descasca a roupa, metidinha, gozou, às vezes gozão, às vezes gozadinha. "Ah, mas eu comi. Eu dei. Eu gozei e próximo!" Cesta do amor na lixeira. Se é que podemos chamar de amor. Não importa - é afeto e o afeto afeta esteja ele em qual grau estiver. O fato que é essa onda de "Expresso Lixo" virou moda. Ninguém se afeta por ninguém real e se afeta por qualquer outra coisa ou um outro alguém sem ao menos tentar desenvolver o afeto que se afetou antes de um outro passar. Pleonasmo e ciclos viciosos! Fica a sensação de saciação por um tempo (fome que parece de corpo físico restabelecida no próximo CPÉ, Mc Donald's, ou o atual Gordão, veja!). Quando o afeto é mais afetadinho, pode até perdurar, mas logo depois vira consumo - os casais se consomem num purgatório insaciável, capitalista, consumista, materialista, individualista para encher o carrinho do mercado ou o do egão - de ego grande sabe? Ligam o tal sentimento que não conseguem desenvolver de uma maneira saudável no aparelho da paixão (a química, a boa foda, o gozo perfeito literalmente falando). Nenhum dos dois tem coragem para desligá-lo e o sentimento fica em estado terminal por um bom tempo. Uma hora se torna insuportável (óbvio!) - um mata e o outro tem que morrer. Quem consome o outro primeiro ganha e sai tranquilamente para consumir outros por aí. Tal fato é o motor para que as relações não se aprofundem, não cheguem a um nível satisfatório de desenvolvimento até o seu fim natural. Anaïs Nin já tinha nos avisado que o amor não morre de causa natural. Mas enquanto esta tara por fast-food for alimentada, continuaremos entrando em ciclos infernais de superficialidade, nos sentindo constantemente oras como comida rápida oras como embalagem descartável. Focar até mesmo na vida afetiva é essencial. Caso ao contrario este abuso pode virar uma gastrite na alma, uma úlcera no coração, uma esofagite na boca. É preciso respeitar as sentimentalidades e entender que cada qual tem o seu lugar e o seu tempo relativo de duração.
Tratar as emoções como um disk-delivery de “Love in box” é banalizar o sentimento e estagnar a alma em uma miséria afetiva desnecessária.

5 comentários:

Daniel disse...

eu to no fast-food, por um tempo inderteminado....isso ta me dando dor de barriga!

Karinão disse...

Por isso que eu prefiro lasanha congelada...dura mais tempo...se contar q vc nem sempre come o pcte inteiro de uma vez, sempre sobra pra depois...

André Azenha disse...

existe o filme Nação Fast Food... esse texto poderia virar o roteiro do longa Mundo Fast Food... essa menina tem talento!!! já falei isso

diana sandes disse...

e a pergunta é: como construir seus próprios (outros) valores em meio ao fast-food que cisma em nos foder (no duplo sentido mesmo)?
aí fica esse gosto de pia suja na boca...

Cíntia disse...

Fast food é a pior forma de comer (ser comido(a) q existe... mas dps q vc prova... ai fodeu... vicia mesmo....
Eu tento me livrar, mas sempre q dá... o fast food é bem vindo... dps de uma balada, na madrugada... sem ninguém saber... rsrsr... não dá pra resistir... mas como vc diz... causa uma úlcera no coração! E não há anti-ácido q resolva...